Com as diversas obras para as Olimpíadas de
2016, moradores sofrem com o caos
Ricardo Conti
Considerado um colírio para os turistas, a
Cidade do Rio de Janeiro oferece as mais belas paisagens. A figura do Cristo
Redentor e o retrato do Pão de Açúcar estão entre os lugares mais visitados da
cidade. Mas a realidade de quem observa o Rio dos pontos mais altos é oposta
dos que continuam embaixo.
A reforma urbana na cidade para os Jogos
Olímpicos de 2016 prejudica os cariocas que lidam com uma infinidade de
problemas. O trânsito caótico, o transporte sobrecarregado e a demora na
conclusão das obras refletem a falta de planejamento do Estado. A Cidade já
havia passado por essa transformação no final do século vinte. Para seguir os
padrões franceses na época, o prefeito Pereira Passos decidiu demolir todos os
cortiços para dar espaço a avenidas largas, como a Rio Branco, no Centro, e
monumentos, como o Teatro Municipal e a Escola de Belas Artes.
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| O caos no trânsito reflete as inúmeras obras na cidade Revista Plano de Contingência |
Para o
urbanista Luiz Adolfo, especialista na área há mais de vinte anos, o processo
de reformulação urbana no governo Pereira Passos apresentou erros. A própria
derrubada de monumentos históricos, como o Palácio Monroe onde foi a sede da
Câmara dos Deputados na Cinelândia, está entre os exemplos. Segundo Luis o
governo de Pereira Passos não soube como ampliar a cidade com uma
infraestrutura adequada:
“Eles quiseram se comparar a outros centros
mais desenvolvidos por conta da ampliação da cidade. Não sabemos se houve um
estudo aprofundado para a construção desses espaços, e se foi a melhor
alternativa.”
A falta
de planejamento também se reflete na realidade dos cariocas nos dias de hoje. O
morador do bairro Grajaú, Zona Norte do Rio, Matheus Palmieri relata sua
dificuldade no trânsito para chegar às sete horas na PUC.
“Parte da minha rua foi interditada por conta
das obras na Praça Niterói, onde a proposta é de construir um reservatório que
gere controle das enchentes na Grande Tijuca. Todo dia pego um trânsito
desnecessário e a quantidade de veículos não diminui.”
Luiz
afirma que em, construções nas cidades do exterior, como Londres e Paris, as
obras visam a projetar uma qualidade de vida melhor para os cidadãos. No Rio,
não existe isso. As demolições e reconstruções tomam conta da cidade e por isso
não viabiliza o desenvolvimento:
“Nas cidades do exterior as obras visam o
futuro. Aqui você derruba, faz a Presidente Vargas, faz a Rio Branco várias
vezes. Já quebraram a Rio Branco mais de cinco vezes em quinze anos.”

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