terça-feira, 2 de junho de 2015

A falta de planejamento dificulta a vida dos cariocas


Com as diversas obras para as Olimpíadas de 2016, moradores sofrem com o caos

 Ricardo Conti

Considerado um colírio para os turistas, a Cidade do Rio de Janeiro oferece as mais belas paisagens. A figura do Cristo Redentor e o retrato do Pão de Açúcar estão entre os lugares mais visitados da cidade. Mas a realidade de quem observa o Rio dos pontos mais altos é oposta dos que continuam embaixo.
A reforma urbana na cidade para os Jogos Olímpicos de 2016 prejudica os cariocas que lidam com uma infinidade de problemas. O trânsito caótico, o transporte sobrecarregado e a demora na conclusão das obras refletem a falta de planejamento do Estado. A Cidade já havia passado por essa transformação no final do século vinte. Para seguir os padrões franceses na época, o prefeito Pereira Passos decidiu demolir todos os cortiços para dar espaço a avenidas largas, como a Rio Branco, no Centro, e monumentos, como o Teatro Municipal e a Escola de Belas Artes.

O caos no trânsito reflete as inúmeras obras na cidade
Revista Plano de Contingência

Para o urbanista Luiz Adolfo, especialista na área há mais de vinte anos, o processo de reformulação urbana no governo Pereira Passos apresentou erros. A própria derrubada de monumentos históricos, como o Palácio Monroe onde foi a sede da Câmara dos Deputados na Cinelândia, está entre os exemplos. Segundo Luis o governo de Pereira Passos não soube como ampliar a cidade com uma infraestrutura adequada:
“Eles quiseram se comparar a outros centros mais desenvolvidos por conta da ampliação da cidade. Não sabemos se houve um estudo aprofundado para a construção desses espaços, e se foi a melhor alternativa.”
A falta de planejamento também se reflete na realidade dos cariocas nos dias de hoje. O morador do bairro Grajaú, Zona Norte do Rio, Matheus Palmieri relata sua dificuldade no trânsito para chegar às sete horas na PUC.
“Parte da minha rua foi interditada por conta das obras na Praça Niterói, onde a proposta é de construir um reservatório que gere controle das enchentes na Grande Tijuca. Todo dia pego um trânsito desnecessário e a quantidade de veículos não diminui.”
Luiz afirma que em, construções nas cidades do exterior, como Londres e Paris, as obras visam a projetar uma qualidade de vida melhor para os cidadãos. No Rio, não existe isso. As demolições e reconstruções tomam conta da cidade e por isso não viabiliza o desenvolvimento:
“Nas cidades do exterior as obras visam o futuro. Aqui você derruba, faz a Presidente Vargas, faz a Rio Branco várias vezes. Já quebraram a Rio Branco mais de cinco vezes em quinze anos.”




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