Plano de desenvolvimento na cidade
traz mudanças para população
O
Rio de Janeiro vem crescendo bastante com o passar dos anos e esse crescimento
vem se dando também pelos grandes eventos que irão acontecer na cidade nos
próximos anos. O “Bota-Abaixo” atual nos faz lembrar muito do “Bota-Abaixo” do
passado. Para a arquiteta Vanda Vilhena, a maior semelhança é o
ímpeto modernizador que marcou ambos os períodos e a ênfase no embelezamento da
cidade segundo os padrões importados, já naquele tempo. A mudança e reformas
urbanas do século XX, como o projeto de construção da Avenida Central, hoje
Avenida Rio Branco, foi o maior marco, assim como a remoção do Morro do
Castelo. O começo da modernização, de industrialização e urbanização que
levaram a cidade a ser o que é hoje.
Seguindo
o plano de desenvolvimento da cidade, a Região Urbana do Porto Maravilha está
preparando a Região Portuária com finalidade de reestruturar o local, com o
objetivo de melhorar a qualidade de vida dos moradores e da população. Mas
essas obras e mudanças causaram grandes transtornos no trânsito da cidade.
Segundo a secretária Júlia Soares, que trabalha no Centro do Rio há mais de
cinco anos, ela não consegue mais andar no Centro de carro devido às mudanças
nas mãos das ruas. Além de tudo, ela mora na Barra da Tijuca e não consegue
levar menos de duas horas para chegar ao trabalho.
| Avenida Rio Branco: obras impedem a passagem de carros e pedestres |
Com
as obras nas avenidas do Centro da cidade muitas pessoas foram prejudicadas,
pois as ruas mudam de mão a cada dia. Para Júlia Soares, ficou muito mais
difícil andar no Centro e a possibilidade de ir de carro para lá já foi
descartada, pois ela sempre se perde e leva mais tempo do que deveria. Quando
começaram as obras, agentes da prefeitura distribuíram panfletos sobre as
mudanças no trânsito mas a maioria não sabia indicar aonde eram os pontos de
ônibus, por exemplo.
A
obra, feita pela prefeitura do Rio de Janeiro, com apoio do governo estadual e
federal, abrange uma área de cinco milhões de metros quadrados, que tem como
limites a Avenida Presidente Vargas, Rodrigues Alves, Rio Branco, e Francisco
Bicalho. Em julho de 2012, iniciou-se a reurbanização que previa o prazo de
obras para terminar em 2016. Entre às intervenções urbanísticas, pode-se citar
importantes mudanças, como a demolição do Elevado da Perimetral, a
transformação da Avenida Rodrigues Alves em via expressa, a criação de uma nova
e rota, chamada de Binário do Porto, e a reurbanização de 70 km de vias.
No “Bota-Abaixo” do passado, o Plano
Pereira Passos acabou com morros e levou gente das favelas para longe da
cidade, mas não havia um movimento ambientalista ou pela habitação popular
organizado. Para Vanda Vilhena, hoje em dia o impacto nesse aspecto é menor,
pois há um planejamento melhor em relação às remoções de pessoas de suas casas.
E
o futuro?
Apesar
de todas as obras que estão sendo feitas, as obras do Pan-Americano e do
Engenhão estão mal-feitas e sendo refeitas. O próprio Engenhão, por exemplo, já
foi fechado no ano passado, pois sua estrutura estava prejudicada e desabando.
O estádio foi construído para o Pan-Americano e depois de alguns anos já sofria
com problemas em sua estrutura. O motivo é a falta de planejamento em obras
desse porte, fazendo com que a cidade tenha muitas obras de reparação. Mas
apesar de reparar essas obras, existem outras grandes obras de infra-estrutura
e de corredores de transporte coletivo, como o BRT e o VLT.
Com
essas obras, a cidade acaba ficando um caos, com muitas obras espalhadas,
virando um canteiro de obras. Isso prejudica a locomoção das pessoas. Mas
apesar disso, elas irão aproveitar das obras que estão por vir, principalmente
as de transporte. O BRT já mostra melhoras e o metrô que está sendo expandido
faz com que a população tenha mais esperança em relação ao futuro.
Rio e suas
primeiras reformas
Com
os 450 anos do Rio de Janeiro, a cidade está com comemorações por todo lado. Um
desses lugares é o Instituto Moreira Salles, que está com programações
especiais que contam com exposições sobre o Rio, visto desde os seus
primórdios. As duas exposições em questão são “Um passeio pelo Rio” de Joaquim
Manuel de Macedo e “Rio: primeiras poses”, essa segunda com a visão da cidade a
partir da chegada da fotografia, entre 1840 e 1930.
Em
“Um passeio pelo Rio”, os visitantes podem ver através de desenhos, fotografias
e gravuras de Joaquim Manuel de Macedo a cidade no século XIX. As imagens
testemunham um tempo perdido e também confirmam a preocupação de Macedo, para
quem o descaso do Rio com o seu patrimônio, já naquele tempo, traduzia-se em
uma “indiferença que um pouco se aproxima do vandalismo”. Já em o “Rio:
primeiras poses” é possível percorrer nove décadas através de fotos da cidade,
especialmente durante o Segundo Reinado de d. Pedro II e também as primeiras
décadas da República. A mostra conta com 450 imagens de fotógrafos como Marc
Ferrez e Augusto Malta, que foram escolhidas entre 10 mil do acervo do IMS.
Lívia
de Almeida é professora e estava de visita à exposição “Rio: primeiras poses”
com um grupo de alunos. Segundo ela, a exposição mostra um Rio em detalhes nas
fotografias, que muitos não viveram e presenciaram. Já o estudante Eduardo
Dias, de 16 anos, conta que o que mais gostou da exposição foi a parte
interativa, onde ele podia “dar zoom” nas fotos e ver de forma mais detalhada,
além das imagens em 3D.
Em
um dos ambientes da exposição, é possível ver a mudança e reformas urbanas do
século XX. O projeto de construção da Avenida Central, hoje avenida Rio Branco,
foi o maior marco. Entre as ações, o fotógrafo Augusto Malta registrou todas,
principalmente a abertura da Avenida Central juntamente com a remoção do morro
do Castelo. Outro fotógrafo da exposição, Marc Ferrez, tem o seu Álbum da
Avenida Central, onde registrou a avenida desde que foi inaugurada.
A exposição
mostra também o começo da modernização, de industrialização e urbanização. Com
isso, é possível observar as transformações através de imagens da Barra da
Tijuca, Jacarepaguá, Copacabana e muito mais. Ferrez e Malta construíram, com
seus trabalhos, o principal legado da fotografia para a memória da cidade na
passagem do século XIX para o XX.
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