terça-feira, 2 de junho de 2015

Bota-Abaixo do passado e do presente e suas semelhanças



Plano de desenvolvimento na cidade traz mudanças para população 

Nicole Crivoi

          O Rio de Janeiro vem crescendo bastante com o passar dos anos e esse crescimento vem se dando também pelos grandes eventos que irão acontecer na cidade nos próximos anos. O “Bota-Abaixo” atual nos faz lembrar muito do “Bota-Abaixo” do passado. Para a arquiteta Vanda Vilhena, a maior semelhança é o ímpeto modernizador que marcou ambos os períodos e a ênfase no embelezamento da cidade segundo os padrões importados, já naquele tempo. A mudança e reformas urbanas do século XX, como o projeto de construção da Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco, foi o maior marco, assim como a remoção do Morro do Castelo. O começo da modernização, de industrialização e urbanização que levaram a cidade a ser o que é hoje.

          Seguindo o plano de desenvolvimento da cidade, a Região Urbana do Porto Maravilha está preparando a Região Portuária com finalidade de reestruturar o local, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos moradores e da população. Mas essas obras e mudanças causaram grandes transtornos no trânsito da cidade. Segundo a secretária Júlia Soares, que trabalha no Centro do Rio há mais de cinco anos, ela não consegue mais andar no Centro de carro devido às mudanças nas mãos das ruas. Além de tudo, ela mora na Barra da Tijuca e não consegue levar menos de duas horas para chegar ao trabalho.
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Avenida Rio Branco: obras impedem a passagem de carros e pedestres

          Com as obras nas avenidas do Centro da cidade muitas pessoas foram prejudicadas, pois as ruas mudam de mão a cada dia. Para Júlia Soares, ficou muito mais difícil andar no Centro e a possibilidade de ir de carro para lá já foi descartada, pois ela sempre se perde e leva mais tempo do que deveria. Quando começaram as obras, agentes da prefeitura distribuíram panfletos sobre as mudanças no trânsito mas a maioria não sabia indicar aonde eram os pontos de ônibus, por exemplo.

          A obra, feita pela prefeitura do Rio de Janeiro, com apoio do governo estadual e federal, abrange uma área de cinco milhões de metros quadrados, que tem como limites a Avenida Presidente Vargas, Rodrigues Alves, Rio Branco, e Francisco Bicalho. Em julho de 2012, iniciou-se a reurbanização que previa o prazo de obras para terminar em 2016. Entre às intervenções urbanísticas, pode-se citar importantes mudanças, como a demolição do Elevado da Perimetral, a transformação da Avenida Rodrigues Alves em via expressa, a criação de uma nova e rota, chamada de Binário do Porto, e a reurbanização de 70 km de vias.

         No “Bota-Abaixo” do passado, o Plano Pereira Passos acabou com morros e levou gente das favelas para longe da cidade, mas não havia um movimento ambientalista ou pela habitação popular organizado. Para Vanda Vilhena, hoje em dia o impacto nesse aspecto é menor, pois há um planejamento melhor em relação às remoções de pessoas de suas casas.

E o futuro?

          Apesar de todas as obras que estão sendo feitas, as obras do Pan-Americano e do Engenhão estão mal-feitas e sendo refeitas. O próprio Engenhão, por exemplo, já foi fechado no ano passado, pois sua estrutura estava prejudicada e desabando. O estádio foi construído para o Pan-Americano e depois de alguns anos já sofria com problemas em sua estrutura. O motivo é a falta de planejamento em obras desse porte, fazendo com que a cidade tenha muitas obras de reparação. Mas apesar de reparar essas obras, existem outras grandes obras de infra-estrutura e de corredores de transporte coletivo, como o BRT e o VLT.
          Com essas obras, a cidade acaba ficando um caos, com muitas obras espalhadas, virando um canteiro de obras. Isso prejudica a locomoção das pessoas. Mas apesar disso, elas irão aproveitar das obras que estão por vir, principalmente as de transporte. O BRT já mostra melhoras e o metrô que está sendo expandido faz com que a população tenha mais esperança em relação ao futuro.

Rio e suas primeiras reformas

          Com os 450 anos do Rio de Janeiro, a cidade está com comemorações por todo lado. Um desses lugares é o Instituto Moreira Salles, que está com programações especiais que contam com exposições sobre o Rio, visto desde os seus primórdios. As duas exposições em questão são “Um passeio pelo Rio” de Joaquim Manuel de Macedo e “Rio: primeiras poses”, essa segunda com a visão da cidade a partir da chegada da fotografia, entre 1840 e 1930.

          Em “Um passeio pelo Rio”, os visitantes podem ver através de desenhos, fotografias e gravuras de Joaquim Manuel de Macedo a cidade no século XIX. As imagens testemunham um tempo perdido e também confirmam a preocupação de Macedo, para quem o descaso do Rio com o seu patrimônio, já naquele tempo, traduzia-se em uma “indiferença que um pouco se aproxima do vandalismo”. Já em o “Rio: primeiras poses” é possível percorrer nove décadas através de fotos da cidade, especialmente durante o Segundo Reinado de d. Pedro II e também as primeiras décadas da República. A mostra conta com 450 imagens de fotógrafos como Marc Ferrez e Augusto Malta, que foram escolhidas entre 10 mil do acervo do IMS.

          Lívia de Almeida é professora e estava de visita à exposição “Rio: primeiras poses” com um grupo de alunos. Segundo ela, a exposição mostra um Rio em detalhes nas fotografias, que muitos não viveram e presenciaram. Já o estudante Eduardo Dias, de 16 anos, conta que o que mais gostou da exposição foi a parte interativa, onde ele podia “dar zoom” nas fotos e ver de forma mais detalhada, além das imagens em 3D.

          Em um dos ambientes da exposição, é possível ver a mudança e reformas urbanas do século XX. O projeto de construção da Avenida Central, hoje avenida Rio Branco, foi o maior marco. Entre as ações, o fotógrafo Augusto Malta registrou todas, principalmente a abertura da Avenida Central juntamente com a remoção do morro do Castelo. Outro fotógrafo da exposição, Marc Ferrez, tem o seu Álbum da Avenida Central, onde registrou a avenida desde que foi inaugurada.

            A exposição mostra também o começo da modernização, de industrialização e urbanização. Com isso, é possível observar as transformações através de imagens da Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Copacabana e muito mais. Ferrez e Malta construíram, com seus trabalhos, o principal legado da fotografia para a memória da cidade na passagem do século XIX para o XX.

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