quinta-feira, 21 de maio de 2015

A Cidade Maravilhosa começa mudança em seu berço


  

É no Centro do Rio que a cidade se transforma 

Samara Moreth 


É impossível andar pelas ruas do Rio de Janeiro hoje e não notar a transformação que a cidade está passando. As obras estão espalhadas por todos os lugares e a vida do carioca se tornou um caos. Centro do Rio é um exemplo disso, um lugar com fluxo enorme de pessoas que está cada vez mais confuso. A cada dia há uma mudança no centro. Com muitos projetos sendo colocados em prática as obras estão dificultando a vida de quem tem que passar por lá. Este é o caso do estudante Uarlei que precisa acordar muito cedo para conseguir chegar a tempo em no estágio eu moro em Magé e preciso pegar a Avenida Brasil para chegar ao centro, com essas obras a minha vida mudou bastante, acordo às 3h30 para chegar no horário - contou o estudante 
A reforma urbana remete a época do bota-abaixo quando a capital passou por uma transformação muito complicada. A destruição do Morro do Castelo dividiu a população que vivia no Rio de Janeiro. Médicos e defensores da destruição afirmavam que a cidade precisava de uma “limpeza”. 
Morro do Castelo foi incluso nessa higiene já que no local havia doenças e por isso a imagem da cidade no exterior não estava boa. Para aqueles que não concordavam com a destruição, o sentimento era de perda histórica da cidade, afinal o berço carioca se encontrava ali.  
O arquiteto e urbanista Cristiano Xavier concorda que houve a perda histórica, mas que a construção da Avenida Central foi de extrema importância para o Rio - foi um ponto fundamental para o desenvolvimento da cidade, afinal, não existe metrópole sem uma avenida principal- afirmou ele. 


O Porto Maravilha 

Um dos projetos que saíram do papel foi a construção do Porto Maravilha que é considerada uma grande mudança para o Rio de Janeiro. Em um trabalho realizado no final da faculdade a engenheira civil Ana Caroline Martins contou que o projeto é criação de uma Barra no Centro. Para a população do Rio, a repercussão não vai ser muito grande, garantiu ela. Em volta do Porto existem algumas comunidades que não foram consultadas sobre as obras e estão passando por muitas dificuldades. Essas comunidades deveriam ser as mais interessadas, porque vai chegar saneamento básico e melhoria de vida, mas ao contrário, esse projeto se tornou puro interesse político. A engenheira acredita ter poucos pontos positivos - vai trazer melhoria para a cidade, o que complica é que a gestão sendo mal feita e essas obras tornaram a vida do carioca um caos - disse Ana. 
Centro da cidade é muito desvalorizado, mal cuidado, violento e por causa das obras esses fatos aumentaram. Desde o começo do Rio, a região do Porto Maravilha era chamada de Pequena África devido ao porto onde chegavam escravos. Lá existiam cemitério de escravos e mais tarde algumas favelas. A ideia da obra para Ana Caroline é melhorar esse aspecto e o carioca poder frequentar mais o Centro. Ele deve deixar essa ideia que o Centro é só passagem para uns e trabalho para outros. Pode ser transformar em mais uma opção de lazer, de cultura e entretenimento para as pessoas. Esse projeto é muito antigo e agora a cidade do Rio teve a oportunidade de fazer. O momento é de caos, de confusão e estresse na vida do carioca - a ideia do projeto é muito interessante, e nós esperamos que não fique só na ideia, mas que realmente saia do papel - relatou Ana. 


A Prefeitura idealiza o projeto com muitos prédios na orla
(Connect Smart Cities)
   
Os eventos mundiais e os projetos 

As obras ganharam força com a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Algumas delas são em função dos eventos, mas não significa que esses projetos nasceram por causa dos jogos. Alguns desses projetos já faziam parte dos planos urbanísticos da cidade, uns da década de 80. Um exemplo disso é o metrô indo até a Barra. O projeto dessa obra é bem antigo. Para Cristiano Xavier, foi uma oportunidade que a cidade ganhou para tirar os projetos da gaveta - nesse sentido eu acho que a realização dessas obras é muito positiva, porque são de infraestrutura muito complexa, com uma logística de planejamento enorme e ainda conta com uma verba alta - afirmou o arquiteto. Em outros casos, nós perdemos várias oportunidades. É o caso da Lagoa Rodrigo de Freitas e a Baía de Guanabara, que é um desafio muito grande e que envolve muita coisa.   
 Os jogos para as Olimpíadas vão acontecer em 2016 e muitas obras estão atrasadas. Segundo Ana Caroline, está tudo muito mal feito. Na opinião da engenheira, estão correndo com as obras porque o prazo que o governo deu não foi o suficiente. Assim como essas obras, as do Pan também foram mal planejadas, mal feitas e hoje não utilizamos nada que foi construído para o evento, ao contrário, vemos prédios em cima de um terreno de argila mole. Não restou nada do Pan para a cidade reaproveitar. Para a engenheira, o legado das Olimpíadas vai ser o mesmo que o da Copa o Rio vai receber muitos turistas, muito dinheiro, já de infraestrutura, acredito que não vai ter nada, vamos reviver um Pan - contou. 
As reclamações feitas por moradores da cidade são normais para Cristiano. Ele acha que os cariocas devem pensar que esse é um momento passageiro e que é para o bem da cidade. Essas obras precisam ser feitas, e é impossível que elas não tenham impacto no Rio. O Centro da cidade está cheio de obras, o VLT já é muito usado em cidades importantes da Europa, e vai ajudar muito na mobilidade do Rio. Investir em mobilidade é sempre um ponto muito positivo.

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