Cariocas sofrem com diversas obras de
infraestrutura e transporte
Pedro Henrique Martins Vieira
No período de 1902
até 1906, o prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos, promoveu diversas
reformas urbanas e sanitárias na cidade, que ficaram conhecidas como: Bota
Abaixo. O Centro da cidade era um lugar superpovoado, onde negros e pobres
viviam em cortiços ou casarões superlotados, com graves problemas de higiene.
Além disso, a região era marcada por ruas estreitas e um perfil ultrapassado.
Atualmente, com diversos problemas estruturais e atual sede das Olimpíadas que
serão no próximo ano, a Cidade Maravilhosa se tornou, novamente, um canteiro de
obras, assim como no século passado.
A arquiteta Fátima Regina Cerqueira, do CREA-RJ, analisou o momento do Rio: "A cidade virou um canteiro de obras. A dificuldade de se deslocar é muito grande. Não conhecemos mais os caminhos, o tempo de deslocamento aumentou muito, mas acho que quando tudo estiver pronto vai melhorar, significativamente, o deslocamento da população."
| Avenida Central - o coração do Rio Antigo criado após o Bota - Abaixo crédito: Café História |
Hoje, o prefeito do
Rio, Eduardo Paes, vem fazendo obras, tendo em vista a Copa do Mundo, que já
passou e as Olimpíadas de 2016. Os objetivos dessas mudanças são:
revitalizar a área portuária, com o projeto "Porto Maravilha", melhorar
o transporte público através da expansão das linhas do Metrô para a Barra e
para o Leblon e da criação do VLT (Veículo Leves sobre Trilhos) e expandir as vias
do centro.
O taxista e
estudante de engenharia da Unigranrio, Fábio Mesquita confidenciou às
principais problemas no trânsito na cidade carioca. "Sofro muito no trânsito
e fujo das corridas para o Centro. A Rio Branco está fechada na metade, a queda
da Perimetral, vinha engarrafando tudo por lá, mas agora vem melhorando. O Centro
precisava de uma expansão urbana porque já estava muito difícil a situação de
carros, mas tinha que ser planejado e não tudo de uma vez.”
Olho no futuro
O BRT, o VLT, a
extensão das linhas do metrô, o Porto Maravilha, a expansão das vias do Centro
mexem com o imaginário dos moradores do Rio, que sonham em ter, realmente, uma
Cidade Maravilhosa para eles viverem e transitarem com segurança. A esperança
geral é que no futuro, as diversas obras que estão acontecendo não tenham sido
apenas mais um elefante branco, de fato, venham para melhorar o transporte
público, reduzir o tempo das pessoas no trânsito, revitalizar áreas que estavam
abandonadas e integrar o Rio de Janeiro, sem prejudicar ninguém, pois todos
devem ser beneficiados.
Obstáculos de
outrora como: obras superfaturadas, prazos de entrega não respeitados,
promessas que não são cumpridas e mais uma vez a desapropriação de pessoas
pobres voltam com força. Recentemente, os moradores das comunidades da Pedra
Lisa e da Providência, onde a Prefeitura e o Governo do Estado alegaram que
eles estariam vivendo em áreas de risco e, portanto, precisariam abandonar o
local. Apesar de a prefeitura apresentar garantias, através de um projeto
que visava dar pequenos apartamentos no entorno dos morros para as pessoas que
perdessem suas moradias, diversas famílias protestaram e foram contra.
Especialista fala das obras do Rio
Em uma conversa
super agradável no bairro do Jardim Botânico, na Zona Sul carioca, a arquiteta
do CREA-RJ Fátima Regina Cerqueira falou sobre as atuais reformas pelas quais o
Rio vem passando, sobre a Reforma Pereira Passos, sobre suas dificuldades no
dia a dia e sobre sua expectativa após a realização de todas as mudanças
estruturais que estão ocorrendo.
Ao ser perguntada
sobre o planejamento das obras ela foi enfática ao afirmar que tudo foi feito
de uma vez só, o que ela considera um erro gritante de planejamento. “Acho que as obras poderiam ter sido feitas aos poucos. Isso
cria uma confusão né? Inclusive nos orçamentos. Sinceramente, acredito
que não dá tempo para as autoridades pensarem que vai ter que aumentar,
que o orçamento não deu, porque eles tem que terminar as obras. E isso,
eu acho que facilita um superfaturamento, pois o caos da cidade é tão
grande que tem que resolver. Não dá muito para pensar e a fiscalização fica
para uma segunda etapa, caso isso venha a acontecer.”
Formada na Universidade Santa Úrsula, na década de 80 e com
mais de 30 anos de profissão, a arquiteta já viajou para diversos países e após
ter visitado Barcelona e ter visto as reformas urbanas que aconteceram lá, após
as Olimpíadas, ao saber do anúncio que a Cidade Maravilhosa sediaria a
competição, ela vislumbrou esse crescimento. Na sua visão, as obras demoraram a
começar e atrasaram muito, por diversos problemas.
“O grande vilão do planejamento feito pela Prefeitura e pelo
Governo do Estado foi o longo tempo. Brasileiro acha que tudo pode ser deixado
para a última hora e ao em vez de planejar e fazer as obras aos poucos para não
impactar muito a população e prejudica-la, fez- se tudo de uma vez só, dando um
nó no trânsito e gerando um caos.”
Mesmo com
todos esses problemas, ela acredita em dias melhores e projeta uma cidade mais
bonita e com mais preocupações arquitetônicas.
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