Moradores
estão descontentes com as reformas
João Marcos Pinto
Os
mais jovens podem não saber, mas não é a primeira vez que o Rio de Janeiro
passa por um período de grandes transformações na sua infraestrutura urbana. Na
década de 20, aconteceu o primeiro “bota-abaixo” carioca. A cidade foi tomada
por grandes obras que mudaram completamente o dia a dia do povo. Abertura das
Avenidas Rio Branco, Francisco Bicalho e Atlântica, e novo Cais e Porto do Rio
de Janeiro foram grandes transformações para a época e apesar de trazerem
melhorias para o cidadão carioca, nem todos viram com bons olhos. Isso se deveu
ao fato de que quase nada no Centro do Rio ficou de pé, o que desagradava quem
tinha mais apreço pela história, tendo como ponto alto a derrubada do Morro do
Castelo.
Av. Ataulfo de Paiva fechada pela obra do metro.
Agência Estadão
Hoje
em dia, o descontentamento com as obras também é presente, mas por motivos
diferentes. Altíssimo custo na construção de estádios, arenas esportivas
sucateadas e atrasos constantes na entrega de soluções para o transporte
público são alguns dos principais motivos de revolta dos cariocas. Segundo o
coordenador do projeto “Metrô que o Rio precisa”, Atílio Flegner, o atraso não
é pequeno e muito menos um problema de agora. “Em 1968 foi feito o
estudo de viabilidade técnica e econômica do metrô e nele estava escrito que o
metrô, junto com os trens, deveriam atender a uma grande parcela da população.
Sendo assim, o metrô deveria operar em alta capacidade de transporte, mas até
hoje esse planejamento ainda não foi executado. Estamos em 2015 e em 1968 já
estava previsto que até 1990 o metrô deveria chegar em Niterói. Estamos com
quase 30 anos de atraso em relação ao planejamento de transporte”, afirma Atílio.
Problemas não acabam
Além
dos problemas com gasto excessivo de dinheiro público e má organização no
desenvolvimento das obras, o povo do Rio ainda sofre as consequências
periféricas do grande canteiro de obras que virou a cidade. O trânsito do Rio
de Janeiro já é maior que o de São Paulo, gastando mais tempo no trajeto
casa-trabalho, trabalho-casa do que os paulistas. Outra consequência negativa é
o aumento da violência. As muitas obras, principalmente do metrô, deixaram
algumas áreas desertas e muito perigosas. É o caso de algumas ruas no Leblon,
como conta o morador do bairro, Lucas Okamura. “As ruas estão cada vez mais desertas por aqui, pois esses tapumes de obras encobrem totalmente a visão da rua.
Virou um lugar perfeito para os assaltos. Tem um trecho aqui perto de casa, na
Av. Ataulfo de Paiva, entre a Rua Afrânio de Melo Franco e o Jardim de Alah,
que é assalto toda hora. Eu mesmo já fui assaltado duas vezes nesse trecho.”
A melhoria do metrô é essencial
Qualquer
projeto de transporte público minimamente eficiente nas grandes cidades passa
por um conceito muito bem desenvolvido do seu metrô. O que não está acontecendo
no Rio. A prefeitura desenvolveu o BRT como sendo uma grande solução para o
trânsito na cidade, quando na verdade deveria ser apenas uma ajuda no sistema
principal, o metrô. Atílio Flegner, coordenador do projeto “ Metrô que o Rio
precisa” explica a diferença. “O BRT aqui no Rio foi construído com uma
capacidade física e operacional de cerca de 10 mil passageiros/hora/sentido o
que não é nada comparado ao metrô, que
pode chegar a 90 mil passageiros/ hora/ sentido”
O projeto de Atílio e seus companheiros é
bastante importante para a fiscalização das obras do metrô. O conceito inicial
da prefeitura era suprimir a construção da estação Gávea, que era essencial
para integrar as linhas 1 e 4. Sabendo disso, o “Metrô que o Rio precisa”
entrou em atuação e com muito esforço conseguiu uma ação no MP para que as
obras se iniciassem. Apesar disso, a construção dessa estação está parada. “Já são três meses de inatividade nas obras.
Estamos estudando maneiras de atuar e fazer com que ela volte ao normal e seja
entregue dentro do prazo. Ou melhor, entregue dentro do prazo já atrasado.”
Sugiro um infográfico que mostre a capacidade
passageiros/hora/sentido de vários meios de transportes diferentes para a
comparação dos mais efetivos. Comparar os BRTs transcarioca e transoeste,
barcas, supervia, as diferentes linhas do metrô e inclusive comprar com meios
de transportes de outras grandes cidades.
A melhor maneira seria usar barras de tamanhos diferentes de
acordo com a capacidade de cada meio de transporte.

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