quinta-feira, 21 de maio de 2015

AO SE PREPARAR PARA AS OLIMPÍADAS, RIO VOLTA NO TEMPO



Moradores estão descontentes com as reformas

  João Marcos Pinto

Os mais jovens podem não saber, mas não é a primeira vez que o Rio de Janeiro passa por um período de grandes transformações na sua infraestrutura urbana. Na década de 20, aconteceu o primeiro “bota-abaixo” carioca. A cidade foi tomada por grandes obras que mudaram completamente o dia a dia do povo. Abertura das Avenidas Rio Branco, Francisco Bicalho e Atlântica, e novo Cais e Porto do Rio de Janeiro foram grandes transformações para a época e apesar de trazerem melhorias para o cidadão carioca, nem todos viram com bons olhos. Isso se deveu ao fato de que quase nada no Centro do Rio ficou de pé, o que desagradava quem tinha mais apreço pela história, tendo como ponto alto a derrubada do Morro do Castelo.

Av. Ataulfo de Paiva fechada pela obra do metro.
Agência Estadão

Hoje em dia, o descontentamento com as obras também é presente, mas por motivos diferentes. Altíssimo custo na construção de estádios, arenas esportivas sucateadas e atrasos constantes na entrega de soluções para o transporte público são alguns dos principais motivos de revolta dos cariocas. Segundo o coordenador do projeto “Metrô que o Rio precisa”, Atílio Flegner, o atraso não é pequeno e muito menos um problema de agora. Em 1968 foi feito o estudo de viabilidade técnica e econômica do metrô e nele estava escrito que o metrô, junto com os trens, deveriam atender a uma grande parcela da população. Sendo assim, o metrô deveria operar em alta capacidade de transporte, mas até hoje esse planejamento ainda não foi executado. Estamos em 2015 e em 1968 já estava previsto que até 1990 o metrô deveria chegar em Niterói. Estamos com quase 30 anos de atraso em relação ao planejamento de transporte”, afirma Atílio.


Problemas não acabam

Além dos problemas com gasto excessivo de dinheiro público e má organização no desenvolvimento das obras, o povo do Rio ainda sofre as consequências periféricas do grande canteiro de obras que virou a cidade. O trânsito do Rio de Janeiro já é maior que o de São Paulo, gastando mais tempo no trajeto casa-trabalho, trabalho-casa do que os paulistas. Outra consequência negativa é o aumento da violência. As muitas obras, principalmente do metrô, deixaram algumas áreas desertas e muito perigosas. É o caso de algumas ruas no Leblon, como conta o morador do bairro, Lucas Okamura. “As ruas estão cada vez mais desertas por aqui, pois esses tapumes  de obras encobrem totalmente a visão da rua. Virou um lugar perfeito para os assaltos. Tem um trecho aqui perto de casa, na Av. Ataulfo de Paiva, entre a Rua Afrânio de Melo Franco e o Jardim de Alah, que é assalto toda hora. Eu mesmo já fui assaltado duas vezes nesse trecho.”

A melhoria do metrô é essencial

            Qualquer projeto de transporte público minimamente eficiente nas grandes cidades passa por um conceito muito bem desenvolvido do seu metrô. O que não está acontecendo no Rio. A prefeitura desenvolveu o BRT como sendo uma grande solução para o trânsito na cidade, quando na verdade deveria ser apenas uma ajuda no sistema principal, o metrô. Atílio Flegner, coordenador do projeto “ Metrô que o Rio precisa” explica a diferença. “O BRT aqui no Rio foi construído com uma capacidade física e operacional de cerca de 10 mil passageiros/hora/sentido o que não é nada comparado ao metrô,  que pode chegar a 90 mil passageiros/ hora/ sentido”
            O projeto de Atílio e seus companheiros é bastante importante para a fiscalização das obras do metrô. O conceito inicial da prefeitura era suprimir a construção da estação Gávea, que era essencial para integrar as linhas 1 e 4. Sabendo disso, o “Metrô que o Rio precisa” entrou em atuação e com muito esforço conseguiu uma ação no MP para que as obras se iniciassem. Apesar disso, a construção dessa estação está parada. “Já são três meses de inatividade nas obras. Estamos estudando maneiras de atuar e fazer com que ela volte ao normal e seja entregue dentro do prazo. Ou melhor, entregue dentro do prazo já atrasado.”

Sugiro um infográfico que mostre a capacidade passageiros/hora/sentido de vários meios de transportes diferentes para a comparação dos mais efetivos. Comparar os BRTs transcarioca e transoeste, barcas, supervia, as diferentes linhas do metrô e inclusive comprar com meios de transportes de outras grandes cidades.
A melhor maneira seria usar barras de tamanhos diferentes de acordo com a capacidade de cada meio de transporte.

           

            

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