terça-feira, 19 de maio de 2015

Rio tem ruas tomadas por obras estruturais


Cariocas questionam o futuro da cidade
 e a preocupação tem fundamento

Nina Anselmo 

     Barulho. Buraco. Transtorno. Caos. Esse é o cenário do canteiro de obras que o Rio de Janeiro se transformou. Com a notícia de uma Copa do Mundo e de uma Olimpíada aqui no Brasil, muito tinha de ser feito. O que muitas pessoas não contavam é que todas as modificações seriam feitas ao mesmo tempo.
      No início do século XX, durante o governo do então prefeito Pereira Passos, a cidade passou por uma situação muito similar. O Rio de Janeiro sofria com muitas doenças e com a falta de um sistema viário de excelência. Foi por esse motivo que o “Bota abaixo” começou. Cortiços foram destruídos. Avenidas largas, como a Av. Central, atual Rio Branco, foram construídas. A cidade foi arejada para que doenças que assombravam a cidade como a malária e a febre amarela tivessem um fim. As reformas feitas nessa época tinham três objetivos bases, o de embelezar a cidade, resolver problemas sanitá­rios e viários.

Av. Rio Branco em construção do VLT


     O “Bota abaixo” atual não é muito diferente do vivido anteriormente. Para onde olha­mos, avistamos uma obra, um buraco, uma mudança sendo feita. A cidade está um caos. Ratos e baratas andam livremente em lugares que antes isso não acontecia isso por causa das enormes crateras abertas para a implantação das estações. A falta de segurança em partes até então seguras. Transtorno no tráfego de veículos. Esse é o cenário atual visto pelos cariocas diariamente. Se olharmos bem, muitas semelhanças são encontradas nos dois períodos, como a necessidade de embelezamento da cidade, mas a solução do trânsito caótico é o foco nas duas experiências. 
     Para o arquiteto e urbanista Thiago Andrade, da ATHUS Arquitetura e Urbanismo, as obras no Rio de Janeiro deveriam ter sido mais bem planejadas, e não feitas todas ao mesmo tempo. “Como bem sabemos, toda ação gera uma reação. E algumas delas são difíceis de prever. Principalmente, quando se trata da cidade, onde o principal atuante é o ser humano e sua forma de apropriação do espaço.”, declarou Thiago afirmando ainda que não sabe ao certo como seria a melhor maneira, que isso deveria ser melhor estudado. A forma como está sendo feita, seguramente, não é a melhor opção. A assistente social Flávia Cristina con­corda com o urbanista. Ela, que antes demorava uma hora e meia para sair de sua casa na Penha e chegar para trabalhar no Centro da cidade, hoje demora três horas. Flávia acredita que tudo vá melhorar no futuro, mas confirma que hoje os cariocas vivem em um caos total, sem quali­dade de vida.


Daqui para frente

     O futuro é sempre muito difícil de prever. O fato é que 11% das obras programadas para as Olimpíadas já foram entregues. 89% delas estão encaminhadas. Não há ne­nhuma intervenção em fase de planejamento ou licitação. Algumas obras não serão finalizadas a tempo, como o bondinho de Santa Teresa, que está para ser entregue há meses, mas sempre há um problema que impede a finalização da obra. Por outro lado, algumas obras já foram entregues e estão fazendo muito sucesso com os visitantes, como o MAR por exemplo. O MIS na orla de Copacabana e o Aquário também são alguns exemplos que já estão em fase de acabamento e prometem chamar muitos visitantes após a inauguração.

MAR, localizado na  Praça Mauá, faz parte da reforma no Centro do Rio


Urbanista conta aspectos do Rio

      O arquiteto e urbanista Thiago Andrade é um otimista convicto. Apaixonado pelo Rio de Janeiro, ele tem certeza de que a cidade está no caminho certo, mas não deixa de lado suas críticas como um profissional do ramo.  Thiago acredita que as obras na cidade foram mal planejadas, mas eram necessárias. “Acredito sim que havia necessidade, de muitas obras de infraestrutura, urbanização e novas adaptações. Mas muitas obras que estão sendo executadas não passam de agentes de ‘maquiagem’, quando muitas das obras, realmente, necessárias não saem do papel ou nem a ele chegam.” O urbanista afirmou ainda que é difícil saber como será o futuro, tudo depende de muitos fatores segundo ele, mas o principal é a forma como as pessoas vão receber essa nova cidade.
     As obras pela cidade estão trazendo o desenvolvimento da cidade. O metrô, o VLT, o BRT, museus, arte. Tudo isso faltava na cidade do Rio de Janeiro. Se as obras finalizarem com sucesso não faltará mais. No entanto, para ele, o Rio parece ter parado em algum ponto da evolução. Isso porque se comparado com outros grandes centros urbanos do mundo, notamos diferenças estruturais fundamentais, como a falta de um transporte público de qualidade capaz de transportar grande número de passageiros. “Um grande exemplo disto, é o metrô de nossa cidade. Onde podemos perceber que até mesmo o crescimento é deficitário.”, garante o urbanista.
    Thiago tem certeza que quando tudo acabar, a cidade ainda terá muitos problemas, mas os cariocas estarão mais bem assistidos, terão uma infraestrutura melhor para encarar seu dia a dia. Ele não vê nenhuma obra que não seja necessária, mas algumas intervenções foram feitas sem planejamento e estudo para saber se era emergencial ou não. O fato de não ter uma pesquisa que embasasse as obras fez com que a lista de prioridade tenha itens não tão prioritários assim.
     O Rio de Janeiro está observando seu prazo para ser entregue chegar e as pessoas estão se perguntando o tempo todo quando todo esse transtorno vai acabar. As Olimpíadas estão chegando e de um jeito ou de outro o final das obras também, só resta torcer para que tudo acabe o mais rápido possível, e a cidade fique linda e funcional.


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