As
semelhanças entre os projetos dos
prefeitos para a Cidade Maravilhosa
prefeitos para a Cidade Maravilhosa
Thayanna Cunha
Revitalização e
modernização urbana podem ser consideradas progresso? A ideia nos remete a uma
concepção de evolução. Entretanto, devemos avaliar as variáveis, ou seja, todo
o processo que leva à sua finalidade. No início do século XX, o prefeito do Rio
de Janeiro, Pereira Passos, iniciou uma série de obras na cidade inspirado em
modelos europeus. Essa reforma urbana visava tornar a cidade economicamente
produtiva, moderna e a manutenção das questões sanitárias e viárias. Tal
processo geral o descontentamento de grande parte da população que o apelidou
de “Bota-Abaixo”. Este nome é uma referência estritamente literal à realidade
do momento. Demolições, desapropriações, alargamento de ruas e destruição
arquitetônica do que hoje poderia ser um patrimônio histórico cultural da cidade
foram os principais acontecimentos desse período.
Vivemos em um momento semelhante a esse do
século passado. Hoje, sob a gestão de Eduardo Paes, a cidade está tomada por
obras em todas as suas regiões. Assim como o “Bota-Abaixo” anterior, esse
também divide opiniões. Podemos tecer uma extensa lista de problemas gerados
por esse novo projeto. Porém, devemos ter em mente que, apesar do caos atual, o
objetivo das mudanças é melhorar a vida cotidiana, como foi destacado pela urbanista
Carolina Nyemeier. Ela ainda destaca que
o caos atual não é gerado pelo fato de as obras estarem sendo realizadas ao
mesmo tempo. A quantidade de obras não determina a eficiência da execução das
mesmas. O fator que a determina e o responsável pela caótica situação urbana é
o estudo do planejamento das execuções.
O
atual prefeito está realizando inúmeras interdições na cidade. A principal
queixa dos moradores é o caos no trânsito e a poluição sonora e visual. A
analista de sistemas e moradora do Recreio, Adriana Antunes, conta que ao olhar
da sua janela, quando se mudou para o local, via apenas vegetação e que hoje a
vista é totalmente diferente. A vegetação não mais existe e obras ocupam o seu
lugar. Ela diz ainda que leva quatro
horas para chegar ao trabalho, no Leblon, e que antes do início das obras o
tempo de trajeto era no máximo 2 horas. Para a questão do trânsito parece não
haver saída para a população: tanto o transporte privado quanto o público não
escapam aos percalços da condição atual das vias.
Os
cariocas tiveram não só a sua rotina alterada como o seu estilo de vida. O
aumento do tempo gasto no trânsito gera a diminuição do tempo disponível para a
realização de outras atividades. A advogada Claudia Antunes conta que teve que
sair da academia por falta de tempo. O tempo que antes gastava praticando
exercício, hoje gasta no trânsito. “Fora a
atual ausência da prática de atividade física, tem o estresse, os incômodos e
as dores da cabeça de ficar tanto tempo parada no trânsito em um transporte
público lotado e de péssima qualidade", complementa.
Futuro é agora
Qualquer resultado é decorrente de
ações previamente estabelecidas. O hoje constrói o amanhã. Acompanhando as
tendências da globalização e da evolução tecnológica vem a evolução urbana. O
Rio de Janeiro será sede de um dos eventos mais conhecidos e acompanhados
mundialmente em 2016: as Olimpíadas. Atender as necessidades de um evento desse
porte é uma tarefa árdua. Ela implica em mudanças nas áreas de transporte,
manutenção do funcionamento da cidade e construção de novas instalações, tanto
esportivas quanto habitacionais. Para o mundo, um espetáculo esportivo. Para a
cidade, um meio para transformações urbanas e sociais. Vale ressaltar que o espetáculo vai acabar. As
mudanças decorrentes dele irão permanecer beneficiando a população, como as
novas linhas de transporte e alguns dos parques onde vão acontecer os jogos,
tornando-se uma área de lazer.
Muito além das Olimpíadas, é o
futuro da cidade que está sendo construído. As ações atuais visam a melhoria da
vida dos cidadãos no futuro.A criação do BRT, que tem como objetivo melhorar o tempo de viagem da
população e fornecer comodidade através do ar condicionado, as reformas e novos
projetos que estão sendo feitos no âmbito cultural, como o Museu do Amanhã e o
Museu da Imagem e do Som e a revitalização do porto, trazendo mais segurança e
tornando o ambiente mais livre de poluição, são apenas algumas dessas mudanças
que ainda geram emprego, melhoria na qualidade da saúde e lazer.

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