quinta-feira, 21 de maio de 2015

De Pereira Passos a Eduardo Paes: desconstruir para construir




As semelhanças entre os projetos dos 
prefeitos para a Cidade Maravilhosa

Thayanna Cunha


Revitalização e modernização urbana podem ser consideradas progresso? A ideia nos remete a uma concepção de evolução. Entretanto, devemos avaliar as variáveis, ou seja, todo o processo que leva à sua finalidade. No início do século XX, o prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos, iniciou uma série de obras na cidade inspirado em modelos europeus. Essa reforma urbana visava tornar a cidade economicamente produtiva, moderna e a manutenção das questões sanitárias e viárias. Tal processo geral o descontentamento de grande parte da população que o apelidou de “Bota-Abaixo”. Este nome é uma referência estritamente literal à realidade do momento. Demolições, desapropriações, alargamento de ruas e destruição arquitetônica do que hoje poderia ser um patrimônio histórico cultural da cidade foram os principais acontecimentos desse período.

A derrubada da Perimetral fez parte do "Bota-Abaixo" de Eduardo Paes


 Vivemos em um momento semelhante a esse do século passado. Hoje, sob a gestão de Eduardo Paes, a cidade está tomada por obras em todas as suas regiões. Assim como o “Bota-Abaixo” anterior, esse também divide opiniões. Podemos tecer uma extensa lista de problemas gerados por esse novo projeto. Porém, devemos ter em mente que, apesar do caos atual, o objetivo das mudanças é melhorar a vida cotidiana, como foi destacado pela urbanista Carolina Nyemeier.  Ela ainda destaca que o caos atual não é gerado pelo fato de as obras estarem sendo realizadas ao mesmo tempo. A quantidade de obras não determina a eficiência da execução das mesmas. O fator que a determina e o responsável pela caótica situação urbana é o estudo do planejamento das execuções.  

            O atual prefeito está realizando inúmeras interdições na cidade. A principal queixa dos moradores é o caos no trânsito e a poluição sonora e visual. A analista de sistemas e moradora do Recreio, Adriana Antunes, conta que ao olhar da sua janela, quando se mudou para o local, via apenas vegetação e que hoje a vista é totalmente diferente. A vegetação não mais existe e obras ocupam o seu lugar.  Ela diz ainda que leva quatro horas para chegar ao trabalho, no Leblon, e que antes do início das obras o tempo de trajeto era no máximo 2 horas. Para a questão do trânsito parece não haver saída para a população: tanto o transporte privado quanto o público não escapam aos percalços da condição atual das vias.      

            Os cariocas tiveram não só a sua rotina alterada como o seu estilo de vida. O aumento do tempo gasto no trânsito gera a diminuição do tempo disponível para a realização de outras atividades. A advogada Claudia Antunes conta que teve que sair da academia por falta de tempo. O tempo que antes gastava praticando exercício, hoje gasta no trânsito. “Fora a atual ausência da prática de atividade física, tem o estresse, os incômodos e as dores da cabeça de ficar tanto tempo parada no trânsito em um transporte público lotado e de péssima qualidade", complementa.



Futuro é agora

Qualquer resultado é decorrente de ações previamente estabelecidas. O hoje constrói o amanhã. Acompanhando as tendências da globalização e da evolução tecnológica vem a evolução urbana. O Rio de Janeiro será sede de um dos eventos mais conhecidos e acompanhados mundialmente em 2016: as Olimpíadas. Atender as necessidades de um evento desse porte é uma tarefa árdua. Ela implica em mudanças nas áreas de transporte, manutenção do funcionamento da cidade e construção de novas instalações, tanto esportivas quanto habitacionais. Para o mundo, um espetáculo esportivo. Para a cidade, um meio para transformações urbanas e sociais.  Vale ressaltar que o espetáculo vai acabar. As mudanças decorrentes dele irão permanecer beneficiando a população, como as novas linhas de transporte e alguns dos parques onde vão acontecer os jogos, tornando-se uma área de lazer.
Muito além das Olimpíadas, é o futuro da cidade que está sendo construído. As ações atuais visam a melhoria da vida dos cidadãos no futuro.A criação do BRT, que tem como objetivo melhorar o tempo de viagem da população e fornecer comodidade através do ar condicionado, as reformas e novos projetos que estão sendo feitos no âmbito cultural, como o Museu do Amanhã e o Museu da Imagem e do Som e a revitalização do porto, trazendo mais segurança e tornando o ambiente mais livre de poluição, são apenas algumas dessas mudanças que ainda geram emprego, melhoria na qualidade da saúde e lazer. 

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