quinta-feira, 21 de maio de 2015

Indagações atuais e históricas sobre as obras do Rio



A política de Paes e Pereira Passos para a construção do Rio


Gabriella Real 


  A questão urbana volta a ser um tema importante nos 450 anos do Rio de Janeiro. A cidade vem sofrendo mudanças estruturais, vias estão sendo desviadas, pessoas sendo relocadas, casas sendo demolidas e obras para todos os lados. Um verdadeiro caos urbano. Mas o anseio de uma cidade melhor enche de esperança o carioca. Mas esse cenário não é novidade na Capital Fluminense.



Prefeito Eduardo Paes ao lado de um ator vestido de Pereira Passos dá início a mais uma reforma
Marcos Tristão / O Globo; 2012



  No início do século XX, o Rio de Janeiro tinha fama internacional como “Porto Sujo”.  Era preciso que a cidade assumisse uma nova feição para se tornar a Cidade Maravilhosa. O prefeito e engenheiro Francisco Pereira Passos foi incumbido desta função, criou o primeiro projeto urbanístico em 1904. A reforma se sustentou no tripé do saneamento, das aberturas de vias e no embelezamento. A arquiteta da AL2 Arquitetura Luciana Ernesto lembrou que Passos para redesenhar o Rio passou uma temporada em Paris, onde viu as reformas que o prefeito Georges Haussmann fez em Paris. Ela disse que ele queria ser o Haussmann tropical, mudando para sempre a cara do Rio.


  Passos implementou a politica do “bota-abaixo” que tinha como objetivo acabar com os focos de doença e modernizar da cidade. Passos derrubou os cortiços, proibiu vendedores ambulantes. As pessoas que viviam nos aglomerados habitacionais tiveram que ir para os subúrbios ou para morros. Nasciam às primeiras favelas.  Além disso, demoliu igrejas, casarões, abriu diversas ruas permitindo uma melhor iluminação e ventilação. A arquiteta relembrou que a Av. Rio Branco foi inaugurada em 15 de novembro de 1905, sendo a maior intervenção urbanística do Rio.

  O atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, se mostrou fã do Pereira Passos na inauguração da primeira fase das obras da Zona Portuária, um ator teve a tarefa de representar o ex-prefeito. É evidente que Paes pretende entrar na história da cidade, assim como fez Pereira Passos. “Ele é o novo Pereira Passos”, disse Luciana.

  No primeiro mandato de Eduardo Paes, ele instaurou a política de “Choque de ordem”. Similar ao projeto do “bota-abaixo”, Paes teve como objetivo retirar moradores de rua, ambulantes, crianças abandonadas e pessoas sem documento. Ele também criou projetos de revitalização da cidade como, por exemplo, o Porto Maravilha, que estava abandonado.

  A reeleição do atual prefeito em 2012 foi marcada também pela escolha do Rio de Janeiro como sede para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Isso viabilizou do ponto de vista empresarial o projeto de cidade empreendedora, que tem como objetivo atrair investimentos. O slogan de Paes nas eleições foi o seguinte “O Rio voltou a sorrir”. Remete à ideia de que agora o carioca pode ter orgulho de sua cidade que se lança ao cenário internacional como fez na época de Passos. Há um paralelo entre os prefeitos, ambos visam às melhorias para tornar a cidade atrativa aos investimentos estrangeiros.

  Outro ponto que vemos na política de Paes é que a revitalização da zona portuária teve como consequência remoção de moradores, demolições de prédios históricos. O entorno do estádio do Maracanã também foi reconfigurado. A comunidade da Vila do Autódromo, em Jacarepaguá, também foi removida para a construção da Vila Olímpica.


Legado das obras


  O Rio de Janeiro possui vários problemas como em qualquer cidade que cresce sem planejamento. A falta de saneamento básico, as condições precárias de moradias, educação, saúde e sistema de transporte público são uma realidade no momento em que transformações urbanas estão sendo feitas.

  O prefeito Eduardo Paes está fazendo uma revolução na cidade como lembra Luciana.  Mesmo no meio do caos o carioca terá grandes benefícios. As obras do metrô, do BRT e do VLT em longo prazo vão facilitar a ligação de várias regiões do Rio. “A criação dos centros esportivos para as Olimpíadas ajudaram milhares de crianças após os jogos como locais de atividades”, afirmou a arquiteta.

  O estudante da Faculdade de Design de Produto da PUC-Rio Mairê Ramazzina, de 21 anos, contou que está cada vez mais difícil morar na Ilha das Garças, na Barra da Tijuca. “As obras do metrô começaram a se intensificar e tiveram que se apropriar do terreno onde os moradores das 11 ilhas da barra estacionavam os carros e pegavam os barcos. Ficou perigoso entrar nas ilhas”, contou Mairê. Ele acredita que, mesmo com todo transtorno da cidade, as obras são para um bem maior.

  Mesmo com tantas reformas para melhorar a situação da cidade o caos, a falta de planejamento, a precariedade do transporte público e o trânsito estão afetando a vida de quem mora no Rio. Tanto o estudante Mairê Ramazzina quanto a arquiteta Luciana Ernesto acreditam que se tudo der certo nas obras, a cidade vai ficar bem melhor.



Faces Brasil no começo do século XX


  Nos 450 anos do Rio de Janeiro, 450 fotos que retratam a Belle Époque carioca foram selecionas para a exposição no Instituto Moreira Salles, na Gávea, Rio de Janeiro. A exposição é aberta ao público até o dia 31 de dezembro. Em meio às transformações, podemos identificar alguns pedaços da cidade que permaneceram intactos até os dias de hoje.

  Marc Ferrez e Augusto Malta são destaques na exposição. Com fotos belíssimas, eles retratam as transformações, o cotidiano e as paisagens da Cidade Maravilhosa. As fotos de ambos os artistas podem ser ampliadas e um mapa mostra onde foram tiradas, tendo como base a estrutura do Rio atual.

  Neste relato histórico o Brasil ainda com zê é caracterizado por sua natureza, vistas deslumbrantes e construções belíssimas. Uma das fotos que mais impressiona é a derrubada do Morro do Castelo. Augusto retrata o momento em que jatos de água atingem o morro e começam a destruição de casas, a terra desaba. Um fato engraçado é que desde 1900 os homens se vestem de mulheres no Carnaval.

  Na exposição, uma das alas que chama atenção é a da Av. Central. A planta e os desenhos dos prédios são magníficos e o melhor é ver o recorte das fotos para apenas mostrar aquele ponto da cidade. Através das fotos, passeamos em uma época de grandes transformações econômicas e sociais. Hoje podemos visitar esses lugares e ver que algumas modificações ainda estão no mesmo lugar.


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