terça-feira, 19 de maio de 2015

Olimpíadas x Belle Époque Tropical

   
       Há algo de novo no Bota-Abaixo realizado atualmente no Rio?

Roberto Caligari

    A pouco menos de um ano para as Olimpíadas, o Rio de Janeiro sofre com as constantes obras necessárias para a realização do evento. Para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, a cidade passa por intensas transformações em sua estrutura. Além do impacto no trânsito, uma das consequências mais pungentes é o desalojamento de centenas de famílias de suas moradias em prol da construção de espaços destinados a competições esportivas.

                                          
Protesto na orla de Copacabana em junho de 2014
Jornal "A Nova Democracia"
  
    De acordo com um estudo de 2013 da ONG Conectas, mais de 33,5 mil pessoas seriam retiradas de suas casas para a implementação das obras para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. O número corresponde a 0,5% da população carioca. No entanto, o fato não é novo, pois no começo do século passado, a capital fluminense também enfrentou diversos transtornos durante a reforma urbanista promovida pelo prefeito Pereira Passos. Com o intuito de imprimir ao Rio ares franceses, o político iniciou uma série de medidas como a restruturação da Avenida Central, atual Rio Branco. Para isso, milhares de moradores foram expulsas de seus cortiços e o Morro do Castelo foi literalmente derrubado.
   
  Segundo o arquiteto Lísias Coimbra, a falta de planejamento é a principal causa dos impactos do programa de urbanização para as Olimpíadas 2016. Para o especialista, há a impressão do projeto ter sido implantado às pressas, sem um estudo amplo dos impactos decorrentes dessa política.

   Além dos despejos, a mobilidade urbana é uma das mais prejudicadas. Conforme relata o administrador de empresas Felipe Ayres, 25 anos, o tempo de viagem de casa para o trabalho aumentou em quase uma hora desde quando começaram as construções para receber os megaeventos. Ele conta que os engarrafamentos, antes comuns apenas na Ponte Rio-Niterói, se estenderam até depois da Rodoviária Novo Rio, no Centro.


                                                “Como será o amanhã?”

     Com o término da disputa da Copa do Mundo, em 2014, fica a questão sobre o legado que o Mundial deixou para o Rio de Janeiro. Segundo dossiê divulgado pelo jornal “Folha de S. Paulo”, das 167 edificações prometidas para o evento, apenas 88 foram entregues a tempo, 45 estavam atrasadas e 23 começaram apenas após a competição esportiva e 11 simplesmente nem saíram do papel. Após as Olimpíadas, a prefeitura tem planos de destinar os estádios para o funcionamento de escolas municipais, centros culturais, áreas de lazer e complexos esportivos. Só o tempo dirá se essas medidas serão colocadas em prática.

     Para o arquiteto Lísias Coimbra, a probabilidade de isso ocorrer é baixa, haja vista o abandono que instalações anteriores tiveram depois de serem palco de campeonatos mundiais. O caso mais recente é o do Pan-Americano, realizado 2007, no qual o Velódromo da Barra e o Parque Aquático Maria Lenk tiveram de ser reformulados em sua totalidade por não atenderem aos padrões olímpicos, mesmo estando praticamente novos em folha.

     Conforme explica Coimbra, os estádios que receberam as partidas do Pan estavam em perfeitas condições de receber outros projetos culturais ou, até mesmo, ara virarem centros de excelência esportiva e treinamento de atletas.



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