Cidade sofre com reformas há um século
| Eduardo Paes falando sobre os projetos da prefeitura para os Jogos Olímpicos Rio 2016 (Tânia Rego/ABr) |
Leonardo Machado
O Rio de Janeiro vem passando
por diversas mudanças em sua estrutura. Basta dar uma volta pela cidade e o
leitor conseguirá, facilmente, observar diversos operários trabalhando dia e
noite em demolições e construções. Porém, o fato não é nenhuma novidade. No
início do século passado um momento parecido foi vivido pelos habitantes do
local.
O começo do século XX foi
marcado pela reforma urbana promovida pelo então prefeito Pereira Passos. O
chamado “Bota-abaixo” foi um marco para a cidade, que visava à adequação aos
padrões de modernidade, transformando a insalubre e desorganizada capital
federal em uma “espécie de Paris”.
Os governantes alegavam que
as doenças epidêmicas que aconteciam na época eram frutos de uma população
pobre, que vivia de maneira comunitária em cortiços. A maior concentração
desses habitantes estava no Morro do Castelo, que viria a ser derrubado. Assim,
acreditava-se que o Rio passaria ser a “cidade maravilhosa”.
Além disso, a questão
estética também foi fundamental. O embelezamento da capital seguiu o padrão
estético da Belle Époque, valorizando
os espaços centrais. Hoje em dia o prefeito Eduardo Paes também constrói o seu
“novo Bota-abaixo” com o objetivo de modernizar o Rio e deixá-lo mais atrativo.
Novas obras são feitas, aliadas aos Jogos Olímpicos de 2016, para alavancar o
turismo e os grandes negócios na cidade, como conta a arquiteta e urbanista
Ursula Rodrigues, graduada na Universidade Federal Fluminense e que trabalha no
Selo Casa Saudável.
- A cidade do Rio de Janeiro
tem um grande potencial para o turismo e negócios, sendo uma grande metrópole
nacional. Com as atuais intervenções na mobilidade urbana, esses potenciais
devem ser valorizados. O grande desafio para a cidade, gerado desde o anúncio
da Olimpíada, é o da especulação imobiliária gerada.
Um
futuro promissor
Para Ursula, as obras foram
necessárias e o Rio não será beneficiado apenas na época dos Jogos Olímpicos.
- Desde a gestão de Pereira
Passos, essa é uma das maiores intervenções urbanísticas no Rio, e foi
necessária. As obras visam as Olimpíadas, mas deixarão um legado muito bom para
a cidade, que ficou abandonada por muito tempo.
Se hoje os habitantes do Rio
de Janeiro sofrem com os transtornos causados pelas obras, como o trânsito
caótico, insegurança, sujeira nas ruas e falta de qualidade de vida, o futuro
parece ser promissor. Faz-se necessário todo este esforço, para que a cidade
cresça e se desenvolva.
O transporte coletivo é o
que mais promete ser qualificado. Com as obras do BRT, VLT e novas linhas do
Metrô, a esperança de um melhora na mobilidade urbana é grande. Ursula destaca
o principal ponto positivo do “novo Bota-abaixo”, mas faz uma alerta.
- O principal ponto positivo
é a melhora considerável na mobilidade urbana da cidade, incentivando o uso do
transporte coletivo. Porém as intervenções deveriam continuar para além da
cidade, principalmente integrando os municípios da Região Metropolitana.
A arquiteta também comentou
sobre os problemas da reforma.
- O
ponto negativo é a especulação imobiliária gerada, que acabou por
impossibilitar a moradia para muitos na cidade.
Cariocas sofrem com reforma
Os moradores da cidade do
Rio de Janeiro vêm passando por uma série de dificuldades em seu cotidiano,
causados pelas reformas do “novo Bota-abaixo”. Entre as reclamações, o trânsito
caótico vem sendo a maior delas, aliado a péssima qualidade do transporte
coletivo.
Felipe Galvão, 22 anos, estudante
de engenharia na PUC-Rio, comenta sobre o tempo perdido diariamente.
“O trajeto que eu fazia em
30 minutos está demorando, agora, mais de uma hora. A gente entende que as
obras são pra qualificar a qualidade de vida, mas até agora só piorou”,
afirmou.
A doméstica Marina Oliveira,
40 anos, moradora da Penha, bairro da Zona Norte do Rio, aponta para os pontos
negativos do BRT, que mudaram a sua rotina.
“Antes eu pegava apenas um
ônibus para ir ao trabalho, mas depois da inauguração do BRT a linha que eu
tomava passou a não existir mais. Agora eu demoro mais e pago caro por isso”,
disse.
Além disso, outros problemas
são visíveis para os moradores. São alguns deles: a redução do número de vagas
pela cidade, principalmente na Zona Sul, o aumento da quantidade de sujeira nas
ruas, a insegurança, falta de luminosidade e grande barulho.
Recentemente o prefeito
Eduardo Paes pediu desculpas publicamente aos cariocas, através de discursos
feitos nas rádios locais. Segundo o governante, os transtornos são um mal
necessário no momento, mas o futuro do Rio de Janeiro é promissor.
Até o próximo ano, quando
acontecem os Jogos Olímpicos na cidade, os habitantes terão que conviver com
essas obras. Assim, resta aguardar para saber se tudo isso terá efeito em
breve.
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