terça-feira, 19 de maio de 2015

De Passos a Paes: as mudanças do Rio

Cidade sofre com reformas há um século


Eduardo Paes falando sobre os projetos da prefeitura para os Jogos Olímpicos Rio 2016
(Tânia Rego/ABr)

 Leonardo Machado

     O Rio de Janeiro vem passando por diversas mudanças em sua estrutura. Basta dar uma volta pela cidade e o leitor conseguirá, facilmente, observar diversos operários trabalhando dia e noite em demolições e construções. Porém, o fato não é nenhuma novidade. No início do século passado um momento parecido foi vivido pelos habitantes do local.
O começo do século XX foi marcado pela reforma urbana promovida pelo então prefeito Pereira Passos. O chamado “Bota-abaixo” foi um marco para a cidade, que visava à adequação aos padrões de modernidade, transformando a insalubre e desorganizada capital federal em uma “espécie de Paris”.

     Os governantes alegavam que as doenças epidêmicas que aconteciam na época eram frutos de uma população pobre, que vivia de maneira comunitária em cortiços. A maior concentração desses habitantes estava no Morro do Castelo, que viria a ser derrubado. Assim, acreditava-se que o Rio passaria ser a “cidade maravilhosa”.

     Além disso, a questão estética também foi fundamental. O embelezamento da capital seguiu o padrão estético da Belle Époque, valorizando os espaços centrais. Hoje em dia o prefeito Eduardo Paes também constrói o seu “novo Bota-abaixo” com o objetivo de modernizar o Rio e deixá-lo mais atrativo. Novas obras são feitas, aliadas aos Jogos Olímpicos de 2016, para alavancar o turismo e os grandes negócios na cidade, como conta a arquiteta e urbanista Ursula Rodrigues, graduada na Universidade Federal Fluminense e que trabalha no Selo Casa Saudável.

     - A cidade do Rio de Janeiro tem um grande potencial para o turismo e negócios, sendo uma grande metrópole nacional. Com as atuais intervenções na mobilidade urbana, esses potenciais devem ser valorizados. O grande desafio para a cidade, gerado desde o anúncio da Olimpíada, é o da especulação imobiliária gerada.

Um futuro promissor

     Para Ursula, as obras foram necessárias e o Rio não será beneficiado apenas na época dos Jogos Olímpicos.

     - Desde a gestão de Pereira Passos, essa é uma das maiores intervenções urbanísticas no Rio, e foi necessária. As obras visam as Olimpíadas, mas deixarão um legado muito bom para a cidade, que ficou abandonada por muito tempo.

     Se hoje os habitantes do Rio de Janeiro sofrem com os transtornos causados pelas obras, como o trânsito caótico, insegurança, sujeira nas ruas e falta de qualidade de vida, o futuro parece ser promissor. Faz-se necessário todo este esforço, para que a cidade cresça e se desenvolva.



     O transporte coletivo é o que mais promete ser qualificado. Com as obras do BRT, VLT e novas linhas do Metrô, a esperança de um melhora na mobilidade urbana é grande. Ursula destaca o principal ponto positivo do “novo Bota-abaixo”, mas faz uma alerta.

     - O principal ponto positivo é a melhora considerável na mobilidade urbana da cidade, incentivando o uso do transporte coletivo. Porém as intervenções deveriam continuar para além da cidade, principalmente integrando os municípios da Região Metropolitana.
A arquiteta também comentou sobre os problemas da reforma.

     - O ponto negativo é a especulação imobiliária gerada, que acabou por impossibilitar a moradia para muitos na cidade.


Cariocas sofrem com reforma

     Os moradores da cidade do Rio de Janeiro vêm passando por uma série de dificuldades em seu cotidiano, causados pelas reformas do “novo Bota-abaixo”. Entre as reclamações, o trânsito caótico vem sendo a maior delas, aliado a péssima qualidade do transporte coletivo.
Felipe Galvão, 22 anos, estudante de engenharia na PUC-Rio, comenta sobre o tempo perdido diariamente.

     “O trajeto que eu fazia em 30 minutos está demorando, agora, mais de uma hora. A gente entende que as obras são pra qualificar a qualidade de vida, mas até agora só piorou”, afirmou.

     A doméstica Marina Oliveira, 40 anos, moradora da Penha, bairro da Zona Norte do Rio, aponta para os pontos negativos do BRT, que mudaram a sua rotina.

     “Antes eu pegava apenas um ônibus para ir ao trabalho, mas depois da inauguração do BRT a linha que eu tomava passou a não existir mais. Agora eu demoro mais e pago caro por isso”, disse.

     Além disso, outros problemas são visíveis para os moradores. São alguns deles: a redução do número de vagas pela cidade, principalmente na Zona Sul, o aumento da quantidade de sujeira nas ruas, a insegurança, falta de luminosidade e grande barulho.

     Recentemente o prefeito Eduardo Paes pediu desculpas publicamente aos cariocas, através de discursos feitos nas rádios locais. Segundo o governante, os transtornos são um mal necessário no momento, mas o futuro do Rio de Janeiro é promissor.

     Até o próximo ano, quando acontecem os Jogos Olímpicos na cidade, os habitantes terão que conviver com essas obras. Assim, resta aguardar para saber se tudo isso terá efeito em breve.

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